Fala Diretor!

Aqui vou postar minhas questões e também elementos de investigação no campo da direção.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Muitas possibilidades. Pesquisar algo em torno da "grande viagem". Não sei o que é. Algo em torno também do invisível. Também Ulisses, Ícaro, Teseu. Na pesquisa das grandes navegações, a questão da expansão ultramarina portuguesa.Tudo ainda engatinhando ...


O que vejo é que é necessário, ao mesmo tempo, a pesquisa teórica e o olhar aberto, um certo observador que está fora das minhas ansiedades, capaz de captar o corpo e a energia que os atores trazem. E como posso ativá-los, trocar essa energia com eles.


Estou partindo do texto mesmo. Agora vou tentar extrair uma estrutura ritmica a partir das sílabas tônicas do poema ao mesmo tempo estar atenta às imagens que me interessam nele para motivar os atores e a mim.


Como trabalhar a ação vocal e física, juntamente? Se o mesmo princípio musical é também o físico, se corpo e voz é a mesma coisa ... Como? Tão acostumados estamos a separar tudo.

sábado, 18 de setembro de 2010

Álvaro de Campos “Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inatividade." Fernando Pessoa.

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Álvaro de Campos

domingo, 19 de setembro de 2010

Neste projeto o que tem me motivado é essa possibilidade de experimentar a musicalidade da cena através do corpo, do ritmo no corpo. Aspecto a meu ver próprio das dança popular cênica.  O ritmo que tanto tenho buscado e se repetido na minha vida, como algo fundamental.  Vejo também que há uma necessidade pessoal de reencontrar uma origem, uma ancestralidade. No corpo, na experiência de cada um desses corpos tão diferentes que, como educadora da arte, como atriz e diretora, tenho tido a possibilidade de encontrar.  

Vejo na Ode esse lugar de busca. De reencontro. De percepção de si. Ao mesmo tempo acho que o poema, de uma certa maneira,  vem ´passar a limpo' minha história como 'brasileira', ser híbrido e múltiplo. Tenho me questionado isso. Uma necessidade talvez de fazer um teatro mais engajado, trazendo a cena questões de cunho político e ideológico. Mas isso ainda é um incômodo para mim. Um incômodo que move. Ao mesmo tempo e sem dúvida alguma, desejo sempre 'encontrar' meu país e talvez essa minha insistência no popular, no rural, no sertanejo.

Ao mesmo tempo, e talvez mais profundamente, o que me motiva é o mergulho insconsciente. O medo de partir do tamanho  da visão de um futuro maravilhoso. O ritmo da palavra cadenciada gerando imagens de um tempo imemorial, humano, essencial.  

A aventura humana. Acho que essencialmente Pessoa com seus heterônimos estão falando disso. Atravessar o mar é atravessar a vida.
Percebo neste projeto uma possibilidade de aprofundar questões levantadas na pesquisa de teinamento corporal, com a máscara e com o cavalo marinho no Teatro da Figura. Agora algumas coisas estão ficando mais claras (e por isso mais obscuras, pois o chamado à busca é grande!): o teatro realista não me interessa. O drama também não. Experimentei processos onde a dramaturgia nascia da constante pergunta: mas o que você quer dizer? Agora não sei se quero dizer. Estou um pouco cansada de falar para as cabeças entenderem. Sei apenas que necessito ver, sentir, experienciar.


sexta, 19 de novembro de 2010.

Muito tempo sem escrever ... Ontem tivemos um encontro especial. Iniciamos uma análise do texto para encontrar caminhos, frestas. A partir de uma experiência que tive recentemente com a russa Tatiana Stepantchenco (que presente!!!), estamos tentando tocar na questão da análise ativa. Mas é um texto poético e não dramático. Mas isso me instiga ainda mais. Tenho lido também os textos da Maria Knebel, que estão elucidando também esse processo de análise (obrigada André!!!!). Estou achando bem interessante essa possibilidade de ter uma leitura objetiva do texto, o que está por trás das palavras ou o que as palavras guardam. É um trabalho de decifrar mesmo, uma análise não teórica, que caminha pra gente encontrar pontos claros que vão nos ajudar a colocar essas imagens em cena, vão elucidar para nós pontos que nos interessam discutir. A genialidade de Pessoa é inebriante e vamos pouco a pouco adentrando alguns temas, e fica para mim hoje, a partir dessa primeira leitura (apenas as 3 primeiras estrofes): a solidão do homem que busca no mundo exterior algo que preenche seu vazio existencial.